Academia Lean
Cases de aplicação

Lean não é coisa de indústria.

Onde existe um fluxo — do pedido à entrega, da solicitação à resposta — existem desperdícios a eliminar: hospital, transportadora, laboratório, escritório, hotel. Veja o mesmo método aplicado em setores diferentes: fluxo enxergado, lead time medido, ganho comprovado — cada projeto com seu A3 do Projeto Lean fechado.

S
Case detalhado · Serviços · LN-2026-002

Redução de Erros no Fluxo de Faturamento do Centro de Serviços Compartilhados (CSC)

CSC — Faturamento B2B · Jul/2026 – Dez/2026

P

Planejar

Uma em cada 16 faturas saía errada: o time mapeou o fluxo de ponta a ponta e comprovou onde a informação parava ou chegava defeituosa.

case completo

O CSC emite 9.500 faturas B2B por mês, e o mapeamento do fluxo de valor, da apuração do consumo ao envio da fatura, mostrou um processo que produzia defeito em escala: 6,2% das faturas com erro (censo jan/2025–jun/2026), ~590 por mês, R$ 88 mil/mês de retrabalho e concessões e recebimento em 62 dias contra 48 contratuais, esticado pelo loop de contestação e reemissão. O Pareto sobre 3.540 faturas com erro apontou tarifa divergente do contrato (42,9%) e dados cadastrais incorretos (28,5%), 71,5% dos casos: informação de aditivo viajando por e-mail, sem padrão, e cadastro sem dono. Os 5 Porquês no Gemba comprovaram as duas causas-raiz, e o estado futuro foi desenhado com a informação fluindo direto, com travas à prova de erro. Meta: 2,0% até 11/12/2026, orçamento de R$ 18 mil e plano 5W2H com 7 ações.

Pareto dos erros de faturamentodados do case
100%75%50%25%0%42,9%28,5%13%9,3%6,2%acum.Tarifa divergente do contratoDados cadastrais incorretosItem/serviço incorretoValor de medição divergenteOutros
Sobre 3.540 faturas com erro (jan–jun/2026), tarifa divergente do contrato e dados cadastrais incorretos somam 71,5% dos casos: é onde o fluxo produz defeito.
Como o líder respondeu as perguntas da fase

P1 Qual é o problema de negócio e qual fluxo de valor ele afeta? Onde o fluxo começa e termina, e quem é o cliente?

O problema de negócio é a fatura defeituosa: 6,2% das 9.500 faturas B2B/mês saem com erro, quatro vezes a referência interna de 1,5%, custando R$ 88 mil/mês (R$ 1,06 milhão/ano) e esticando o recebimento para 62 dias contra 48 contratuais. O fluxo de valor começa na apuração do consumo, passa pelo cadastro, pela parametrização de tarifas no ERP e pela conferência, e termina com a fatura no cliente B2B, que é quem sofre primeiro: fatura errada vira contestação, espera e desgaste.

P2 Qual é a situação atual do fluxo, medida no local? (Mapa de Fluxo de Valor — VSM — do estado atual, lead time, tempos de ciclo e o que agrega valor)

Caminhei o fluxo com a equipe e medi no local: a fatura correta atravessa o processo em poucos dias, mas a errada entra num loop de contestação, análise e reemissão que empurra o recebimento médio para 62 dias, 14 dias além do contratual. O censo de 18 meses (jan/2025 a jun/2026) confirmou a taxa média de 6,2%, com picos de 8,5% nos fechamentos de trimestre, e nas 8 semanas antes das melhorias (S38 a S45) o indicador oscilou entre 5,6% e 6,7%: patamar alto e estável, nada de evento isolado.

P3 Quais dos 8 desperdícios aparecem no fluxo, onde, e qual pesa mais?

O desperdício que mais pesa é defeito: 590 faturas erradas por mês. Ele puxa retrabalho (análise de contestação e reemissão, R$ 88 mil/mês), espera (o caixa aguardando 62 dias) e transporte de informação: aditivos viajando por e-mail, sem formulário nem prazo, até alguém parametrizar o ERP. Há ainda superprocessamento na conferência, concentrada numa pessoa só revisando o que o sistema poderia travar sozinho. O Pareto sobre 3.540 faturas mostrou tarifa divergente (42,9%) e dados cadastrais incorretos (28,5%) somando 71,5% dos casos.

P4 Quais são as causas-raiz dos desperdícios prioritários — e como foram comprovadas?

Duas causas-raiz comprovadas com os 5 Porquês e medição direta no Gemba. A fatura do contrato 4471-B saiu com tarifa antiga (R$ 182,00 em vez de R$ 197,50) porque o aditivo assinado em 12/08 só foi parametrizado após o fechamento: não existe processo formal de comunicação de aditivos entre Comercial e CSC. A fatura do cliente 88123 saiu com CNPJ desatualizado porque a mudança nunca chegou ao ERP: o cadastro não tem dono, canal único nem validação na emissão. Juntas, explicam os 71,5% dos erros do Pareto.

P5 Como é o estado futuro desenhado para o fluxo?

No estado futuro, a informação flui sem parar nem se perder: todo aditivo entra por formulário digital que dispara a parametrização no ERP com prazo D+2 e alerta, o cadastro tem dono único e canal formal, e a pré-fatura passa por travas à prova de erro de CNPJ e de faixa de tarifa antes de virar fatura. A conferência deixa de ser heroísmo individual e vira checklist digital padronizado dentro do fechamento.

P6 Qual é a meta do projeto e em qual indicador ela será medida?

A meta é reduzir a taxa de faturas com erro de 6,2% para 2,0% (queda de 68%) até 11/12/2026, medida no mesmo censo mensal de 100% das faturas emitidas, mantendo o prazo de emissão e sem alterar regras comerciais. A lacuna de 4,2 pontos percentuais equivale a eliminar cerca de 400 das 590 faturas erradas por mês, com orçamento aprovado de R$ 18 mil.

P7 Qual é o escopo? Quem lidera, quem participa da equipe e quem patrocina o projeto?

O escopo vai da apuração do consumo ao envio da fatura, incluindo cadastro, tarifas e regras no ERP e as rotinas de conferência e fechamento; ficam fora renegociação comercial, cobrança, troca do ERP e clientes pessoa física. Eu, Priscila Fontes, lidero pela célula de Faturamento do CSC, com Gustavo Reis (Comercial, contratos), Daniela Souza (TI, cadastro e ERP) e apoio de Thiago Ramos (Excelência Operacional). A patrocinadora é Marina Castro, Gerente do CSC, com aval de Rogério Antunes, da Diretoria Administrativo-Financeira.

P8 Qual é o plano de implantação (5W2H) e como as frentes foram priorizadas?

O 5W2H fechou com 7 ações por R$ 14.500 dos R$ 18 mil orçados, priorizadas por impacto sobre as duas causas-raiz: formulário digital de aditivos com gatilho no ERP e prazo D+2 (Gustavo Reis, até 13/11), trava de validação de CNPJ e dados na pré-fatura e dono único do cadastro (Daniela Souza, até 13/11), checklist digital de conferência e trava de faixa de tarifa (comigo, até 13/11) e treinamento das equipes (até 16/11). A onda de implantação foi marcada para o fechamento de 16 a 20/11/2026, testando o fluxo futuro inteiro num ciclo real.

D

Executar

A onda de implantação rodou no fechamento de novembro: seis melhorias no fluxo, por R$ 14.500, com todas as equipes treinadas.

case completo

A implantação foi concentrada numa onda única, no fechamento de 16 a 20/11/2026, para testar o fluxo futuro completo num ciclo real. O Comercial passou a registrar todo aditivo no formulário digital, que dispara a parametrização no ERP com prazo D+2 e alerta; a TI ativou as travas à prova de erro de dados cadastrais e de faixa de tarifa na pré-fatura, e o cadastro ganhou dono único com fluxo formal; a conferência passou a rodar com checklist digital padronizado. Durante a onda, a trava de cadastro precisou de um ajuste para tratar clientes com filiais de CNPJ distinto, sem mudar plano nem orçamento. Analistas do faturamento, Comercial e TI foram treinados com presença registrada, o quadro de gestão à vista passou a mostrar o novo fluxo, e o custo fechou em R$ 14.500 dos R$ 18.000 orçados.

Como o líder respondeu as perguntas da fase

D1 As ondas de melhoria (kaizens) do plano foram executadas? O que foi feito, por quem e quando?

Sim, a onda de melhoria entrou em operação no fechamento de 16 a 20/11/2026, com as 6 ações priorizadas: formulário digital de aditivos com gatilho no ERP e prazo D+2, trava de validação de dados cadastrais na pré-fatura, trava de faixa de tarifa, checklist digital de conferência, dono único do cadastro e treinamento. O Comercial ficou com o formulário, a TI com as travas e o cadastro, e a minha célula com o checklist. O custo total foi de R$ 14.500 dos R$ 18.000 orçados.

D2 Quais mudanças de fluxo, layout ou padrão de trabalho foram implantadas no processo?

O fluxo da informação mudou de verdade: o aditivo deixou de viajar por e-mail e passou a entrar por formulário com prazo e alerta, o cadastro ganhou dono único e canal formal, e a pré-fatura ganhou duas travas à prova de erro que impedem o defeito de seguir adiante. A conferência virou trabalho padronizado em checklist digital, etapa obrigatória do fechamento, em vez de revisão de memória concentrada numa pessoa.

D3 Como a gestão visual foi implantada e como o time da operação foi treinado e envolvido?

A gestão visual entrou junto com a onda: o quadro da área passou a mostrar o novo fluxo, os aditivos no prazo e os bloqueios das travas. Treinamos os analistas da célula de faturamento, a equipe de contratos do Comercial e o time de cadastro da TI em sessões práticas na semana anterior ao fechamento, com lista de presença registrada, e comunicamos a mudança às demais células do CSC na reunião de fechamento.

D4 Houve desvios em relação ao plano? Quais evidências registram a execução?

Houve um desvio de percurso: a trava de validação de dados cadastrais bloqueava indevidamente clientes com filiais de CNPJ distinto, e a TI corrigiu a regra na primeira semana; o treinamento também ganhou uma sessão extra de reforço para os analistas mais novos. As evidências ficaram nos próprios sistemas: formulários de aditivos com data e responsável no ERP, registros de bloqueio das travas, checklists digitais preenchidos a cada ciclo, listas de presença e fotos do quadro de gestão à vista antes e depois.

C

Checar

O primeiro ciclo do fluxo novo derrubou o erro para 3,4%, e o indicador seguiu caindo até 2,1%.

case completo

A verificação usou o mesmo indicador e a mesma forma de medir do estado atual: faturas com erro sobre faturas emitidas, no censo mensal de 100% das faturas. No primeiro ciclo do fluxo novo, o fechamento de novembro, a taxa caiu de 6,2% para 3,4%, abaixo do critério de sucesso de 3,5%. Nas 5 semanas seguintes (S47 a S51) seguiu caindo: 3,4%, 2,8%, 2,4%, 2,2% e 2,1%, formando um novo patamar médio de 2,6%. A meta de 2,0% ainda não foi totalmente atingida, mas a redução já passa de 55%, sem retorno ao patamar antigo, e o loop de contestação que esticava o recebimento começou a esvaziar. O ganho projetado de R$ 696 mil/ano será confirmado pelo Financeiro após 6 meses de sustentação; o prazo de emissão foi mantido e nenhum outro indicador piorou.

Taxa de erro: antes × depois do primeiro ciclodados do case
7,1%5,3%3,6%1,8%0%meta · 3,5%6,2%3,4%baseline (jan/25–jun/26)piloto (1º ciclo pós-implantação)
No primeiro fechamento com o fluxo futuro implantado, a taxa de erro caiu de 6,2% para 3,4%, superando o critério de sucesso de no máximo 3,5%.
Como o líder respondeu as perguntas da fase

C1 Os indicadores foram re-medidos do mesmo jeito da situação inicial? Compare o antes × depois.

Sim. Re-medimos do mesmo jeito do estado atual, censo mensal de 100% das faturas emitidas: no primeiro fechamento com o fluxo novo a taxa caiu de 6,2% para 3,4%, e nas 5 semanas seguintes (S47 a S51) seguiu em queda: 3,4%, 2,8%, 2,4%, 2,2% e 2,1%. O novo patamar médio é de 2,6%, sem retorno ao nível antigo.

C2 A meta foi atingida — ou quanto dela?

A meta era 2,0% e chegamos ao patamar de 2,6%, com os últimos pontos em 2,1–2,2%: a maior parte do caminho foi percorrida, com redução de mais de 55% sobre os 6,2% iniciais. O que falta está mapeado nos modos de falha ainda não atacados do Pareto.

C3 Qual foi o ganho do projeto em R$?

O ganho projetado é de R$ 696 mil/ano, somando retrabalho e concessões evitados e o custo do atraso de recebimento, a ser auditado pelo Financeiro após 6 meses de sustentação. Com R$ 14.500 investidos, o retorno do investimento vem em 2 meses.

C4 Houve efeito colateral? O ganho é mesmo do projeto — ou de fator externo?

Nenhum efeito colateral: o prazo de emissão do faturamento foi mantido e as regras comerciais não mudaram. O ganho é do projeto: os dois maiores modos de falha, tarifa divergente e cadastro incorreto, eram exatamente os alvos das travas e do formulário, e a queda veio no primeiro ciclo após a onda, não de sazonalidade ou fator externo.

A

Agir

Trabalho padronizado publicado, carta de controle no quadro da área e yokoten previsto para as demais células do CSC.

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Para segurar o resultado, o fluxo novo virou trabalho padronizado: POP de parametrização de aditivos com prazo D+2 e POP de atualização cadastral com dono único, ambos treinados e registrados, com o checklist digital como etapa obrigatória do fechamento. A taxa de erro entrou na carta de controle semanal do quadro de gestão à vista, com linha central em 2,6% e limite superior de 3,6%, ao lado dos itens vigiados diariamente: aditivos no prazo, bloqueios tratados em 24h e adesão total ao checklist. O plano de reação vai da contenção em 30 minutos ao reforço preventivo antes dos fechamentos de trimestre. Em 11/12/2026 a gestão passou para Marina Castro, dona do indicador, com revisão mensal nos 3 primeiros meses. O yokoten leva o padrão às demais células de faturamento do CSC, e o próximo giro busca os 2,0% atacando os modos de falha restantes.

Carta de controle: taxa de erro após a implantaçãodados do case
4,1%3,1%2,1%1%0%limite de reação · 3,6%limite inferior · 1,6%média · 2,6%S47S48S49S50S51
Nas 5 semanas seguintes à onda de implantação (S47–S51), a taxa de erro se estabilizou entre 2,1% e 3,4%, dentro dos novos limites da carta (linha central 2,6%, limite superior 3,6%).
Como o líder respondeu as perguntas da fase

A1 O novo jeito de trabalhar virou trabalho padronizado? (POP / instrução de trabalho)

Sim: a parametrização de aditivos (com prazo D+2 e responsável definido) e a atualização cadastral (com dono único e canal formal) viraram POPs publicados, e o checklist digital de conferência virou etapa obrigatória do fechamento, o nosso trabalho padronizado. Todos os envolvidos foram treinados no padrão novo, com registro de presença.

A2 Qual é a rotina de auditoria e gestão visual que vai sustentar o ganho — e quem é o dono do indicador?

A taxa de erro roda numa carta de controle semanal no quadro de gestão à vista, com linha central em 2,6% e limite superior em 3,6%, e a rotina diária vigia os itens críticos: 100% dos aditivos parametrizados em D+2, bloqueios da trava de cadastro tratados em 24h, adesão de 100% ao checklist e custo de retrabalho de no máximo R$ 30 mil/mês. Desde o handover de 11/12/2026 a dona do indicador é Marina Castro, Gerente do CSC, com revisão mensal nos 3 primeiros meses e trimestral depois.

A3 Qual é o plano de reação se o indicador voltar a piorar?

O plano de reação tem 4 gatilhos objetivos: ponto acima de 3,6% exige contenção em 30 minutos; 7 pontos seguidos acima de 2,6% disparam diagnóstico em 24h; item crítico fora do padrão (aditivo, trava, checklist) é tratado no mesmo dia; e o pico conhecido do fechamento de trimestre aciona reforço preventivo na semana anterior. A sequência é sempre a mesma: conter, diagnosticar, corrigir, verificar e registrar.

A4 Onde a solução pode ser replicada (yokoten), o que já foi replicado — e quais lições ficaram?

O yokoten já está encaminhado: as demais células de faturamento do CSC, comunicadas no fechamento, vão receber o mesmo padrão de formulário, travas e checklist. A lição central é tratar aditivos e cadastro como dados críticos do fluxo, com dono, prazo e validação, receita que vale para qualquer faturamento por contrato. O próximo giro ataca os modos de falha restantes do Pareto (item ou serviço incorreto e valor de medição divergente) para levar o indicador de 2,6% à meta de 2,0%.

Resultado do projeto

Tratando o faturamento como um fluxo de valor de ponta a ponta, da apuração do consumo ao envio da fatura, a equipe do CSC atacou os defeitos e os retrabalhos que travavam a informação: a taxa de faturas com erro caiu de 6,2% para um novo patamar estável de 2,6% (últimos pontos em 2,1–2,2%), em rota para a meta de 2,0%, com ganho projetado de R$ 696 mil/ano a ser confirmado pelo Financeiro após 6 meses de sustentação. O recebimento, esticado a 62 dias pelo loop de contestação, voltou a caminhar rumo aos 48 dias contratuais.

Ver o A3 fechado deste projeto o projeto inteiro numa folha — é o que a Academia espera do seu projeto Lean

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